Experimento de Estilo

Minha trajetória

Quem sou, o que acredito e o que construo através da moda

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Mulher negra de 29 anos que encontrei na moda uma forma de existir com verdade no mundo. Minha trajetória se entrelaça com vivências, com a necessidade de me reconhecer em mim e no outro, com o desejo de me aprofundar na história e cultura daqueles que vieram antes e abriram caminhos para que fosse possível estar aqui, criando, me desenvolvendo, adquirindo e compartilhando conhecimento com os nossos.

Desse encontro nasceu o desejo e a urgência de criar caminhos para que outras pessoas também possam se enxergar, se sentir e se afirmar através do vestir, um vestir verdadeiro, autêntico, de resgate da essência, de histórias e de posicionamento estratégico, capaz de pavimentar futuros promissores.

Designer de Moda de formação e atuando como consultora de imagem com foco em Coloração Pessoal e Curadorias de Moda, desenvolvi um processo autoral chamado Experimento de Estilo, no qual o vestir se torna um ritual de conexão com quem somos hoje.
A prática é guiada por pilares que sustentam tudo o que construí, como profissional e como pessoa.

Diversidade e Representatividade

Crescer em um mundo que insiste em estabelecer padrões inalcançáveis e projeta nas mídias corpos, rostos e histórias distantes da realidade de grande parte das pessoas sempre foi motivo de incômodo. Seja pela inatingibilidade desses ideais, pelo apagamento ou pela exclusão que eles provocam.
Esse desconforto se transformou em recusa, recusa a me encaixar, a me calar, a reproduzir o que oprime.

Por isso, meu trabalho nasce da pluralidade.
Pluralidade que não se restringe à raça, mas se estende às vivências LGBTQIAPN+, às diferentes formas de corpos, identidades, cores e trajetórias.
Se moda é expressão e identidade, é essencial abraçar todas as possibilidades de existência.
Ninguém deve se adaptar, se diminuir ou pedir licença para ser quem é.

Moda como Expressão e Política

A moda que me interessa é a que critica, reivindica, resgata e questiona.
É a moda que nasce das ruas, das vozes, das histórias e dos corpos.
É a moda que comunica algo para além da beleza.

Como designer de moda, aprendi que o processo criativo é sempre atravessado por cultura, política, memória e pertencimento. Cada peça tem uma origem, cada estética carrega um significado, cada detalhe visual diz algo sobre o mundo e sobre quem o veste.

E, para mim, moda não só pode como deve ser estratégica:
• estratégia política
• estratégia de ocupação de espaços
• estratégia de posicionamento
• estratégia de comunicação

Vestir-se é se colocar no mundo.
E, para se colocar com intenção, é importante conhecer as nuances.
Entender de onde vieram as ideias, as peças, os símbolos, o que a sociedade projeta sobre elas e o que você deseja comunicar com cada escolha.

Esse entendimento transforma completamente a relação com a imagem.
É o que permite vestir o que faz sentido, com consciência, profundidade e autonomia.

A decolonialidade como lente e reconstrução

Minha pesquisa sobre decolonialidade nasce do momento em que passei a investigar minha própria história:
o que significa ser uma mulher negra no Brasil, um corpo atravessado por violências, ausências, invisibilidades, mas também por força, memória, cultura e resiliência.

Esse mergulho me levou a olhar para quem veio antes de mim.
A entender como a colonialidade molda comportamentos, padrões, estéticas e narrativas até hoje.
A perceber que muitas das referências que consumimos são limitadas e limitadoras.

Por isso, meu trabalho parte da necessidade de expandir repertórios.
De contemplar outras culturas, outras histórias, outros olhares.
De resgatar o que nos foi tirado e nutrir-se de referências que, de fato, nos representam.

A decolonialidade, para mim, é uma prática diária:
— de crítica,
— de resgate,
— de reconstrução,
— de abertura de mundo.

É sobre devolver às pessoas a possibilidade de criar uma estética e uma identidade visual que dialoguem com quem elas realmente são, não com aquilo que aprenderam que deveriam ser.

Educação, sensibilidade e acolhimento

Se existe algo que guia tudo que faço, é o compromisso com o acolhimento.
E acolher, para mim, é mais do que ouvir:
é reconhecer dores, validar experiências e compreender limites, sem julgamentos.

A consultoria de imagem que desenvolvi não se limita a ensinar sobre roupas.
Ela educa, traduz.
Ela dá nome a processos internos, desconfortos, inseguranças e bloqueios que muitas vezes foram ignorados por anos.

Meu papel é compartilhar o conhecimento que adquiri, técnico, estético, político e cultural, de maneira acessível e humana, respeitando cada pessoa, sua história e seu tempo.

Acolher também é oferecer suporte para que o vestir deixe de ser um espaço de angústia e se torne um lugar de autonomia, de potência e de prazer.

Minha visão

Eu acredito em uma moda que pensa, que provoca, que move.
Acredito em uma imagem que comunica com intenção.
Acredito que estilo é identidade em movimento.
Acredito que vestir-se é político e também é um caminho de liberdade.
Acredito que cada pessoa merece existir visualmente com verdade, coerência e respeito.

E é isso que guia meu trabalho:
ajudar pessoas a se reconhecerem, se autorizarem, se representarem e se transformarem através da imagem.